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Refrigerante zero faz bem ou faz mal? Especialistas apontam benefícios, riscos e o que a ciência já sabe
Consumo da versão sem açúcar cresce no Brasil, mas pesquisas mostram que os efeitos na saúde vão muito além da redução de calorias
O refrigerante zero conquistou espaço na rotina de milhões de brasileiros ao prometer sabor sem açúcar e sem calorias. A proposta atrai principalmente quem deseja controlar o peso ou reduzir o consumo de açúcar, mas especialistas alertam que os efeitos dessas bebidas não podem ser avaliados apenas pela tabela nutricional.
Nos últimos anos, a versão zero passou a ocupar o lugar que antes pertencia ao refrigerante tradicional. O aumento da procura acompanha uma mudança de comportamento da população, que busca alternativas consideradas mais saudáveis para o dia a dia.
Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes mostram que o consumo de refrigerantes zero cresceu cerca de 30% no Brasil em 2024. O avanço reflete uma maior preocupação com alimentação e qualidade de vida, embora especialistas ressaltem que saúde envolve diversos fatores e não apenas a redução do açúcar ou das calorias.
A principal diferença entre as versões tradicional e zero está na substituição do açúcar por adoçantes artificiais, conhecidos como adoçantes não nutritivos. Eles proporcionam sabor doce, mas praticamente não fornecem calorias nem nutrientes ao organismo.
Entre os adoçantes mais utilizados estão aspartame, sucralose e acessulfame de potássio. Essas substâncias são aprovadas por órgãos reguladores como a Anvisa, a FDA e a EFSA para consumo dentro dos limites considerados seguros.
Para quem consome refrigerante comum diariamente, a troca pela versão zero pode representar uma redução importante na ingestão de calorias. No entanto, pesquisadores destacam que a aprovação pelos órgãos reguladores não elimina o debate científico sobre possíveis efeitos do consumo frequente a longo prazo.
Para quem consome refrigerante comum diariamente, a troca pela versão zero pode representar uma redução importante na ingestão de calorias. No entanto, pesquisadores destacam que a aprovação pelos órgãos reguladores não elimina o debate científico sobre possíveis efeitos do consumo frequente a longo prazo.
Um estudo publicado em 2024 pela revista Nutrients apontou que pessoas que substituíram o refrigerante tradicional pela versão zero reduziram significativamente a ingestão calórica diária. Esse resultado pode favorecer indivíduos que estão em processo de emagrecimento.
Além disso, pessoas com diabetes ou pré diabetes também podem encontrar benefícios nessa substituição, já que o refrigerante zero não provoca o mesmo impacto glicêmico das bebidas adoçadas com açúcar. A Sociedade Brasileira de Diabetes reconhece que essas bebidas podem desempenhar um papel importante dentro de uma estratégia alimentar orientada.
Outro aspecto positivo está relacionado à saúde bucal. Como não contém açúcar fermentável, o refrigerante zero tende a oferecer menor risco para o desenvolvimento de cáries quando comparado às versões tradicionais.
Apesar das vantagens, pesquisas recentes têm concentrado atenção nos possíveis efeitos dos adoçantes artificiais sobre a microbiota intestinal. O intestino exerce funções que vão além da digestão, influenciando processos ligados à imunidade, metabolismo, inflamação, sensação de saciedade e até à saúde mental.
Estudos sugerem que alguns adoçantes podem alterar o equilíbrio das bactérias intestinais. Uma revisão conduzida pela Universidade do Sul da Austrália encontrou associação entre o consumo frequente dessas substâncias e maior ganho de peso ao longo do tempo.
Uma das hipóteses para esse resultado envolve o chamado mecanismo de compensação. Após economizar calorias ao escolher o refrigerante zero, algumas pessoas acabam consumindo mais alimentos durante o restante do dia, anulando parte do benefício obtido.
Outra possibilidade estudada pelos pesquisadores envolve a resposta do organismo ao sabor doce. O cérebro interpreta esse estímulo como um sinal de que a glicose está chegando, desencadeando respostas hormonais. Quando o açúcar não é ingerido, essa repetição ao longo dos anos pode contribuir para alterações na sensibilidade à insulina em pessoas predispostas.
Especialistas ressaltam que o impacto do refrigerante zero depende principalmente do contexto alimentar. Pessoas que mantêm uma dieta equilibrada, praticam atividade física regularmente e consomem água em quantidade adequada dificilmente terão prejuízos relevantes pelo consumo ocasional da bebida.
Por outro lado, quando o refrigerante zero faz parte de uma rotina marcada por várias latas diariamente e por uma alimentação rica em produtos ultraprocessados, os possíveis riscos à saúde tendem a aumentar. O equilíbrio continua sendo o principal fator para uma alimentação saudável.
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